05222018Manchete:

Poema: Devo estar ficando velho

Tudo a minha volta já começa

a parecer, de tão novo, tão sem nome…

E os objetos e as pessoas…

Já permanecem tão crianças…

 

É como se uma saudade

quisesse se impor, acertar contas
Viesse sempre fazer cócegas,

companhia em horas mais que impróprias,
lançar areia nos meus olhos…

Se não é então velhice,
o que seria esse sintoma?
Esse corpo pesado, insuportável

peso de coisas inacabadas

amores, frases que ninguém disse

presas na garganta como brinquedos

danificados no canto

como lúdicas ilusões sem cor
folhas que o vento ao longe lançou…

Devo estar de cabelos brancos
Não reconheço essas sombras

assustadas no espelho a dizerem
que as musas ainda bailam…

 

embora sei que eu não mereça…
Respeitem esses versos rabiscados
no papel amarelo do pão de cada ontem….
Devo estar ficando velho…
Tudo que vejo à minha volta

já se comporta e se projeta tão sem nome…