08202018Manchete:

Autópsia de um eu lírico

Vejam, os invisíveis, vejam seus jalecos
cor de cinza e carvão, cheiro de podre incenso.
Já se aproximam com embornais e cadernos;
com suas luvas de pelica, olhos imensos.

Dissecarão com bisturis, cortes precisos;
Querem até troças, os supérfluos tropos,
os sarcasmos, desejos, medos escondidos.
Nada vai escapar, nem ironias, nem engodos.

Vão com seus olhos duros de vidro chegar,
fazer cara de nojo, apalpar, vislumbrar
em cada verso, descompasso de aparências…

por entrelinhas… vou desprotegido assim,
Silencioso me arrastar, me defendo, enfim,
Ileso escapo e sigo oculto em reticências…